domingo, maio 18, 2008
Contra Notícia
No entanto, e face ao que nos últimos tempos se tem passado, não tenho outra opção que não fazê-lo (colocar/escrever/reflectir sobre assuntos relacionados com futebol).
Fala-se e escreve-se muito sobre os castigos aplicados ao FC PORTO e ao seu presidente, Pinto da Costa, escreve-se, a maior parte das vezes sem conhecimento de causa... Ninguém conhece o processo "Apito Final", mas todos aplaudem a "coragem" de quem o levou até "às últimas consequências". Coragem... Coragem seria fazer algo que contrariasse a opinião pública. Coragem seria absolver o FC PORTO, coragem seria não cair na tentação de se julgar mesmo sem ter os mecanismos necessários para tal, mesmo sem ter um tribunal (Não, o conselho disciplinar da liga não é um tribunal, longe disso).
O FC PORTO foi já condenado na praça pública, há inclusivamente jornais que têm toda uma equipe cujo o único papel é denegrir a imagem do clube. Agora é só arranjar formas de o condenar nos tribunais. E se os tribunais não existem, inventem-se!!
Tenho sido um leitor atento destes assuntos. Cada vez mais. É difícil encontrar informação não inviezada, mas muitas vezes até a encontramos escondida, encostada a um canto no mesmo jornal que dá manchete a uma notícia bombástica que pode ser mesmo posta em causa pelo raciocínio mais elementar decorrente da leitura da tal noticiazita escondida.
É com tristeza que vejo tudo isto. Este comportamento decorrente da psicologia de grupo, onde um aponta o inimigo e os outros, sem ousarem sequer investigar a veracidade da acusação, atiram pedras ao acusado. É com tristeza que vejo a inveja que reina neste país. O FC PORTO era um clube porreiro quando ganhava 2 campeonatos por década, quando ficava 19 anos sem ganhar um campeonato, quando entrava cheio de medo num dos estádios dos grandes da capital. Agora é a personificação da podridão do país, residente no ainda bárbaro norte, onde abundam curruptos e homens sem escrúpulos que beliscam com a sua rudeza os finos e delicados princípios do cosmopolitismo da capital. O seu presidente é um desses homens, com o seu sotaque vincado e piadas brejeiras... um burgesso que até declama Ántónio Nobre e Ramalho Urtigão, que tem lugar marcado na Casa da Música e que é mecenas e frequentador assíduo da Casa das Artes em Famalicão.
É com tristeza que vejo a inveja que o sucesso de alguns causa nos outros, sendo sempre necessário justificar o mesmo com patranhas.
Passarei portanto e a partir de agora, a abordar esta questão mais em particular, colocando textos, artigos de opinião, notícias, o que for.
Farei a minha parte nesta contra-notícia, neste contra-jornalismo...
Porque quando a história pode sempre ser contada de muitas maneiras... cabe-nos a nós escolher aquela que nos parece mais real.
sábado, maio 17, 2008
Porque é que isto não me causa espanto!?
São vários os especialistas que asseguram que, se Lisboa e Vale do Tejo trabalhasse ao mesmo ritmo que as outras regiões, o problema estaria muito atenuado. Os dados mais recentes da Administração Central dos Sistemas de Saúde (2007) corroboram os da IGAS: são enormes as assimetrias regionais. Florindo Esperancinha, coordenador do grupo de trabalho que fez um levantamento da situação, defende que estas assimetrias não são reais e que se devem a diferenças de registos, porque há hospitais que consideram todo o tipo de cirurgias e procedimentos e outros não. Mas Jorge Breda, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, não entende esta explicação, até porque as inscrições para cirurgia "estão em computador". Viajemos então até ao terreno. O segredo do sucesso dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), a unidade pública que mais cirurgias e exames da especialidade realiza, é muito simples: os oftamologistas têm à sua disposição um bloco operatório com três salas a funcionar de manhã e de tarde; além disso, desde há dois anos que funcionam como centro de responsabilidade, o que significa que os médicos recebem incentivos por produzir mais. "Há todo um passado de organização e motivação do pessoal", diz o director do serviço, Cunha Vaz. Como é que conseguem fazer cinco vezes mais cirurgias do que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa? "Havia um treinador do Benfica que dizia "no comments"", ironiza, para depois destacar um dos factores que pode justificar tal diferença: "O acesso ao bloco operatório é crucial."No Hospital de S. João, no Porto, o segundo mais produtivo, não há incentivos nos moldes dos praticados nos HUC. Mas há pagamento à parte. "Operamos em cirurgia adicional [integrada no Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia]", explica António Oliveira e Silva, director clínico. Cada cirurgia à catarata rende 809 euros, revertendo 52 por cento para o hospital e 48 por cento para a equipa. Os profissionais recebem mais, portanto, mas nem com pagamento adicional este programa conseguiu seduzir os oftalmologistas de vários hospitais de Lisboa. Alexandra Campos
in Público
sexta-feira, maio 16, 2008
Um país chamado Lisboa
Aprova os objectivos e as principais linhas de orientação da requalificação e reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa inscritos no documento estratégico Frente Tejo.
No quadro das medidas de requalificação e reabilitação de áreas urbanas e em conjugação com as comemorações do primeiro centenário da implantação da República, o Governo irá promover a execução de um conjunto de operações destinadas à valorização da frente ribeirinha de Lisboa, visando a modernização, reorganização e renovação daquele espaço urbano.
Dando seguimento à intervenção urbanística mais relevante operada na cidade de Lisboa na viragem do século - Parque das Nações - a estratégia de intervenção projectada visa igualmente criar uma nova visão para a cidade e para a sua frente ribeirinha, possibilitando a reconciliação da cidade e dos seus habitantes com o rio Tejo e a zona ribeirinha, enquanto espaço cultural e de lazer, mas também permitindo a recuperação da sua centralidade em função dos novos usos que lhe vão ser dados e das infra-estruturas a implantar.
Estão previstas intervenções urbanísticas, a executar num horizonte temporal reduzido, na zona da Baixa Pombalina, na área compreendida entre o Cais do Sodré, Ribeira das Naus e Santa Apolónia, incluindo a reocupação parcial de edifícios da Praça do Comércio e a reabilitação dos quarteirões da Avenida do Infante D. Henrique, situados entre o Campo das Cebolas e Santa Apolónia, bem como no espaço público da zona da Ajuda-Belém, compreendendo a construção de um novo edifício para o Museu dos Coches e o remate do Palácio Nacional da Ajuda.
Considerando as acções previstas, resulta inequívoco o interesse público que as mesmas revestem não só para a cidade de Lisboa mas também para o País, uma vez que a requalificação e a reconversão a empreender incidem sobre zonas históricas cujo significado e relevo nacional motivam o reconhecimento do interesse público nacional das acções a realizar.
A dimensão e a complexidade destas operações e a sua associação às comemorações do primeiro centenário da implantação da República, que se cumpre a 5 de Outubro de 2010, justificam a constituição de uma estrutura própria para o efeito, dotada de poderes de utilização, fruição e administração de bens do domínio público afectos ao exercício das suas actividades e de um regime especial de contratação pública, imprescindíveis ao êxito da realização das acções previstas para a frente ribeirinha de Lisboa.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 - Aprovar os objectivos e as principais linhas de orientação da requalificação e reabilitação urbana da frente ribeirinha de Lisboa, bem como as respectivas zonas de intervenção, inscritos no documento estratégico Frente Tejo anexo à presente resolução e da qual faz parte integrante, levando ainda em consideração a vontade manifestada pela Câmara Municipal de Lisboa, por deliberação de 16 de Abril de 2008, de um possível alargamento do âmbito da intervenção.
2 - Determinar que as operações de requalificação e reabilitação urbana da frente ribeirinha de Lisboa sejam executadas por uma empresa pública a constituir sob a forma de sociedade de capitais exclusivamente públicos, a qual disporá de poderes excepcionais, designadamente em matéria de contratação pública e de utilização, fruição e administração de bens do domínio público. 3 - Reconhecer o interesse público nacional das operações de requalificação e reabilitação urbana da frente ribeirinha de Lisboa a realizar pela sociedade referida no número anterior. (...)
Muitos dirão - vira o disco e toca o mesmo, estás sempre a bater na mesma tecla. Eu respondo - é verdade, mas não sou o único. O governo também!
Já nem é com revolta que vejo este tipo de notícias, de resoluções de ministros, de governação. É com uma enorme tristeza...
Tenho pena que muitos vivam presos no medo de parecerem "mesquinhos e provincianos" e, tal qual os populares observando o rei que passeava nú à sua frente, assobiem para o ar e finjam não ver aquilo que é evidente.
domingo, abril 27, 2008
O Quadro da Vergonha

sábado, abril 12, 2008
Apito Descarado II
quinta-feira, abril 10, 2008
Dário de um cirurgião do hospital de Santo António dos Capuchos
9:00 - Chegada ao serviço
9:10 - visita aos 2 doentes internados na enfermaria (às vezes é apenas 1)
9:30 - Ordem aos internos para fazer o diário dos doentes (ou nota de alta caso seja o caso)
9:50 - Ordem aos internos para ir fazer a nota de entrada do doente que vai ser operado amanhã.
12:00 - Saída do hospital
Terça-Feira
8:45 - Chegada ao serviço
9:00 - Entrada no Bloco
9:30 - Início da cirurgia
11:30 - fim da cirurgia
11:45 - visita aos doentes internados (dois)
11:50 - Ordem aos internos para fazerem o diário
12:00 - saída do hospital
Quarta -Feira
8:30 - Chegada ao Serviço de Urgência (S.U.) do hospital de S. José
9:00 - início da deambulação pelo S.U.
9:30 às 0:00 - ver alguns doentes que não são possíveis passar aos internos, operar aqueles necessários.
0:00 - cama
5ª feira
Saída de Banco
Tarde - consultas (se possível o interno da especialidade fá-las, presença dispensável no hospital)
6ª feira
9:00 - chegada ao hospital
9:10 - visita aos 2 doentes internados na enfermaria (às vezes é apenas 1)
9:30 - Ordem aos internos para fazer o diário dos doentes (ou nota de alta caso seja o caso)
Sábado e Domingo
Descanço desta canseira que é o dia a dia no Hospital dos Capuchos
quarta-feira, abril 09, 2008
Apito Descarado
Aqui é que o Apito era Descarado!!! Ia eu à bola já nesta altura... com bilhete de sócio do FCP.. para ver o Benfica ser roubado desta maneira. 1 lance - 2 roubos de Igreja.
terça-feira, abril 01, 2008
Uma mentira dita muitas vezes, passa a ser verdade... Quando a maior parte da informação tende à partida para um dos lados, todo o caldo está feito para um belo cozinhado...
Este campeonato já está decidido e é do FC Porto, como sempre foi fácil de prever. O próximo, ou o de 2009/10, começa a jogar-se brevemente no Tribunal de Aveiro — onde o presidente do FC Porto vai ser julgado por crime de corrupção activa e o árbitro Augusto Duarte por crime de corrupção passiva. A este campeonato não há Apito Dourado que lhe possa valer: se alguém se atrevesse sequer a insinuar que os 16 pontos de avanço do FC Porto se devem a favores de arbitragem ou outras manobras de bastidores, morria instantaneamente de rídiculo na praça pública. Mas para o próximo, as almas pequeninas estão esperançadas em que o tribunal consiga dar como provado o crime de corrupção, o que logo habilitará a Liga de Clubes a decidir em cascata:
— a irradiação de Pinto da Costa e de Augusto Duarte;
— a descida compulsiva do FC Porto à Liga Vitalis;
— a retirada retroactiva do título de 2003/2004 ao FC Forto e sua atribuição ao Benfica (que, se a memória me não falha, ficou para aí a uns 11 pontos de atraso).Daqui, por sua vez, retirar-se-ão outros corolários de «moral» e «verdade desportiva», a saber:
— que, se o árbitro do Beira-Mar-FC Porto de 2003/2004 — um jogo que já nada interessava a qualquer dos contendores — foi comprado, é de presumir, por maioria de razão, que foram comprados ou abordados em vão todos os outros árbitros dos jogos do FC Porto que, esses sim, contaram para o título dos portistas;
— que, se isto foi assim nessa época e por iniciativa de Pinto da Costa, é de presumir que assim tenha sido ao longo dos 25 anos que ele leva de presidência. Fica assim esclarecida a razão para os êxitos recorrentes do FC Porto, nas últimas duas décadas;
— o Tribunal de Aveiro e a Liga irão certamente notificar a UEFA e a FIFA para que elas investiguem as condições, a partir de agora suspeitas, em que o FC Porto conseguiu ser duas vezes campeão da Europa e do mundo, sob a presidência de Pinto da Costa;
- de caminho, cai por terra um outro mito, o da excelência de José Mourinho. Se se conseguir provar que Pinto da Costa pagou 2.500 euros ao árbitro de um jogo que já não contava para nada, como jura Carolina Salgado, quem pode atribuir a José Mourinho, aos jogadores ou à equipa qualquer espécie de mérito em terem conquistado nesse ano Portugal e a Europa? Afinal, era o presidente quem tratava de resolver a coisa, antes de o desfecho se decidir no relvado…
Aqui há umas semanas, na festa do Benfica, no Casino Estoril, Luís Filipe Vieira indignou-se porque ainda «não tinha acontecido nada» no processo Apito Dourado. Por acaso, já tinha, mas não o que ele queria: Valentim Loureiro, Pinto de Sousa e o presidente do Gondomar já tinham começado a ser julgados no Tribunal de Gondomar. Mas o que interessava a Vieira que o seu ex-sócio na direcção da Liga, o presidente dos árbitros por ele votado e o Gondomar FC estivessem a ser julgados? Vieira, como três quartos do país dito desportivo, entendia e entende que só se fará justiça se Pinto da Costa for condenado e irradiado e o FC Porto afastado por uns tempos da concorrência.
Pois, aí tem a vontade satisfeita. Enfim, um primeiro desejo. Um ano de esforços, de investigações, de muito dinheiro gasto aos contribuintes, permitiu a Maria José Morgado e à sua equipa convencer uma juíza a desarquivar um processo arquivado por uma outra colega e levar a julgamento quem se pretendia. Para tal, contaram apenas com um único facto novo: a radiosa testemunha Carolina Salgado, essa Joana d'Arc do futebol português, como lhe passaram a chamar os benfiquistas, depois de no passado lhe terem chamado coisas mais alternativas e menos grandiosas. A juíza aceitou a acusação, mas agora o Ministério Público não vai ter tarefa fácil em tribunal. Como coisas menores, vai ter de provar, por exemplo, que Pinto da Costa mente quando diz que não esperava e ficou incomodado com a visita a sua casa de Augusto Duarte. Mas isso é o menos. O essencial vai ser conseguir fazer prova:
— de que o FC Porto tinha um interesse justificado no resultado daquele jogo, ao ponto de subornar o árbitro;
— de que, de facto, o suborno aconteceu e o árbitro o aceitou;
— de que, tendo o corruptor pago para obter um resultado, o corrupo fez também a sua parte.
Ou seja, em tribunal, o Ministério Público vai ter de fazer prova de factos que integrem os três elementos essenciais do crime de corrupção: o móbil, a consumação e o nexo de causalidade (por favor, não confundir com casualidade).
O segundo elemento, a consumação do crime, assenta exclusivamente no testemunho de Carolina Salgado, o que faz antever grossas dificuldades e desilusões para o Ministério Público. Primeiro que tudo, porque, e se a defesa de Pinto da Costa fizer o que se espera, o mais provável é que a testemunha seja contraditada antes mesmo de depor e que a contradita seja aceite: entra pelos olhos adentro de qualquer pessoa de boa-fé que a testemunha se move por vingança pessoal e que a sua credibilidade merece zero de tolerância (não se trata aqui de um filme, feito por benfiquistas e em que se produz acusação e sentença, com base apenas no testemunho da senhora e sem lugar à defesa).
Em segundo lugar, a senhora Carolina Salgado é talvez adequada para impressionar fotógrafos de revista do jet-seis, mas, como já se viu com a sua prestação no Tribunal de Gondomar, é propensa a atrapalhar-se fora de cenas pré-montadas e a cair em contradições, esquecimentos e declarações inverosímeis. Pior ainda vai ser fazer prova do móbil do crime: com o campeonato resolvido e todas as atenções na final da Liga dos Campeões, que interessava ao FC Porto gastar 2.5000 euros a subornar o árbitro do jogo com o Beira-Mar?
E, quanto ao tal nexo de causalidade, que tanto parece aborrecer alguns «facilitistas», como provar que a corrupção se consumou se não houve afinal casos de arbitragem, conforme unanimemente reconhecido pela crítica da época, e se, no final, o FC Porto nem sequer ganhou o jogo?
Ou será que o digníssimo representante do Ministério Público vai sustentar em tribunal que o FC Porto pagou 2.500 euros para garantir um empate com o Beira-Mar, num jogo a feijões?
Ou vai sustentar a tese peregrina, inventada em estado de necessidade e que para aí circula, de que o FC Porto tinha o hábito de manter cautelarmente os árbitros comprados em todos os jogos, com base no princípio «se hoje não interessa, amanhã pode interessar»?
A coisa promete. É verdade que o estádio de Aveiro é mais um elefante branco construído para o Euro-2004 em que já nem o relvado se aproveita. Mas, se o estádio não tem préstimo, o tribunal pode ter. E Aveiro volta assim ao mapa futebolístico português.
EM TEMPO: Já depois de escrito este texto, fui surpreendido com a notícia de que a Liga de Clubes, com base nos mesmos factos e na decisão instrutória do Tribunal de Gondomar, decidiu instaurar um processo disciplinar ao FC Porto e ao seu presidente, com fundamento em corrupção desportiva. E digo surpreendido, porque não vejo com que meios investigatórios é que a Liga vai conseguir fazer prova daquilo que o M.º Público não conseguiu e que só o tribunal poderá apurar. Imagine-se que a Liga, tão espicaçada pelo Benfica, condena o FC Porto a descer de divisão e depois o tribunal o absolve: como é, pedem desculpas retroactivas e pagam os milhões de contos de prejuízos causados?
Não seria mais curial, por exemplo, investigar para já o caso (arquivado pelo Ministério Público) da escuta telefónica em que Valentim Loureiro e Luís Filipe Vieira combinam o árbitro que o Benfica queria para um jogo da meia-final da Taça de Portugal, contra o Belenenses?
O «Senador» benfiquista Silvio Cervan, cujas crónicas não serão propriamente um modelo de isenção clubística (como pode, aliás, um dirigente de clube ser isento?), afirmou aqui, no sábado, que é injusto atribuir apenas a favores de arbitragem o segundo lugar ocupado pelo Vitória de Guimarães, e que tanto preocupa e humilha o S. L. Benfica. De facto, é injusto. Mas quem, senão ele é que se lembrou de afirmar tal coisa? Estaria a falar com a própria consciência?
Miguel Sousa Tavares in A Bola
sábado, março 29, 2008
Sem grandes coisas...
Não pude deixar de notar que nesta magnífica noite (que alguns teimam em apelidar de "perigosa", "violenta" e "imprópria" para consumo) não encontrei "gunas", "mitras" ou mesmo "ladrões", que me quisessem fazer mal, assaltar ou levantar todo o dinheiro que tinha em caixa.. Estranho? Mentira? Não sei... para mal do meu espanto a noite no Porto correu lindamente, e regressei a casa ileso, e cá estou eu em sem nenhuma marca de guerra da mesma, e sobretudo bem de saúde (nada de facadas e balázios como alguns querem fazer passar).. deixem-me que vos diga, que ao contrário do que é normal, a noite no Porto é bastante agradável, segura e para além do mais interessante. É ou não é "Quim Roscas"? É si senhor.. Bonita escreve-se com "b" de BELA.. não sei se fui o contemplado da noite, mas o que é certo é que Porto é sinónimo de Metrópele.. e Metrópele é sinónimo de Grande.. grande cidade esta.. onde praticamente toda a gente pretendia fazer a sua vida, excepto a ínfima parcela de oligofrénicos lisboetas, que teimam em afirmar que em Lisboa é que se encontra o mundo... mas o "mundo" não quer nada com Lisboa!Par de áses.
sexta-feira, março 28, 2008
Dia Grande para o Ténis Luso
quarta-feira, março 26, 2008
(uma menininha querida a mexer em dinheiro do bom)
Amen
Porto produz 25% da ciência nacional
in JN
Intolerância Católica

Há cerca de um mês atrás na cidade de Braga foram colocados cartazes anunciando para breve e passo a citar "A nova Matriz de Braga está a chegar!" (não me lembrei de fotografar na altura)
Ora há cerca de duas semanas os bracarenses ficaram a saber que afinal de contas a nova Matriz anunciada por uma bela freirinha e um sacerdote careca é nada mais nada menos que uma Mega stand de automóveis (como demonstram as fotos) que foi inaugurada há dias!Uff! Respirei de alívio!
Espanto, indignação, incredulidade percorreram a comunidade católica da cidade! O próprio bispo repudiou a utilização da imagem da igreja em publicidade tão pouco digna. Partilhando da indignação do Sr. Bispo, algum católico mais fervoroso lembrou-se de vandalizar os cartazes gigantes, escrevendo a tinta preta a palavra "Satanás" em vários dos posters espalhados pela cidade. Não contente(s) desenhou uns corninhos no careca e maquilhou a carinha laroca e tentadora da bela freirinha... Foi uma filha da putice que lhes fizeram! como diria o nosso amigo ferreira torres.
Quanto a mim, se fosse dono da empresa visada, optaria agora por colocar publicidade com freirinhas lindas e jeitosas a ensaboar, em bikini, os melhores modelos à venda na stand.
terça-feira, março 25, 2008
Jorge Nuno Pinto da Costa - uma história de criança

Filho de uma nobre família da região do Porto, teve a sua instrução escolar nos melhores colégios da mesma. Conta quatro mulheres e dois filhos até hoje. Inicia cedo a ligação ao clube da sua cidade e do seu coração, tendo tido cargos de responsabilidade em várias secções do mesmo, chegando aos 40 anos de idade a director de futebol em finais da década de 70 (1977-78), altura em que o F.C.Porto conquista o campeonato nacional, em igualdade pontual com o S.L.Benfica (campeão nacional em título na altura) pondo termo a 19 longos anos de jejum! Dois anos após deixa o clube. Volta em 1982, como presidente, para não mais deixar aquele lugar. Conta já com 26 anos de liderança Portista, com imensos feitos inéditos, designadamente construção do Estádio do Dragão, da Loja Azul, do Centro de Treinos em Gaia,..., um palmarés invejável a todos os níveis enquanto presidente de um clube em praticamente todas as modalidades, nomeadamente no futebol (que é a mais sonante) com 15 campeonatos da primeira liga nacional, 2 taças dos campeões europeus, 1 supertaças europeias, 1 taça uefa, 2 taças intercontinentais, 9 taças de portugal, 14 supertaças nacionais,... e sobretudo com a imagem única e gloriosa, do grande impulsionador nacional e internacional de um clube representativo de uma cidade que acaba por crescer aos olhos do mesmo! Em 26 anos o Porto vence 15 nacionais de futebol.. nos outros 89 do restante da sua história tinha vencido 10 (já com as 3 edições vencidas no Campeonato de Portugal entre 1922-1934).
Após 26 anos de liderança do presidente do F.C.Porto, e 24 anos de idade que já conto, apraz-me dizer que hoje quando decidi vir ler os jornais online, tinha acabado por se concretizar por assim dizer, um "desejo de criança",... Tal foi o massacre acometido à maioria dos meus ilustres amigos apoiantes do F.C.Porto, durante anos e anos a fio (lembro-me como se fosse hoje, das várias discussões diárias tão acesas que algumas quase chegaram a vias de facto no meu 5º ano, teria eu 10 anos, com o mítico Paulo Ribeiro, já andava comigo há 6 anos), em que a conversa era sempre a mesma, e não passava da tónica de que o Porto era o clube da corrupção, teria tudo comprado, feito, desenhado,... para singrar em todas as competições em que entrava. Pois é, depois de em 2004 (passados 11 anos do meu 5º ano de escolaridade), ter rebentado o escândalo Apito Dourado (com base em investigações APENAS sobre jogos referentes ao séc XXI), de em 2007 e 2008 (passados 14 anos do meu 5º ano de escolaridade) o presidente do F.C.Porto ter sido acusado de corrupção activa desportiva em partidas referentes à época 2003-04 (que o mesmo clube venceu com 82 pontos, sem qualquer derrota ou empate em casa), acaba hoje dia 25/03/08 por se confirmar o julgamento no âmbito de um jogo em Aveiro entre Beira-Mar e Porto, que ocorreu à 31ª jornada do referido campeonato, tendo tido como resultado final o empate sem golos, altura em que o Porto levava 6 pontos de avanço sobre o Sporting e 9 pontos de vantagem sobre o Benfica. O Ministério Público acusa o presidente do F.C.Porto de ter dado em sua casa, um envelope com dinheiro ao árbitro dessa partida em Aveiro, dois dias antes do jogo. Pinto da Costa confirmou o encontro, de velhos amigos, mas negou a oferta do referido envelope. Pergunto eu: o que fazem um presidente de um clube, um árbitro e um empresário, dois dias antes de um jogo no qual há envolvimento do clube do referido presidente, a ser apitado pelo juiz em questão (Augusto Duarte)? Deixo para os mais audazes me responderem..
O tal "desejo de criança" em ver Pinto da Costa responder perante a justiça nacional, perdoem-me meus caros amigos azuis e brancos, está consumado! É certo que nada de "outro mundo" vai acontecer com esta figura enigmática do séc. XXI, mas é mais certo ainda que a haver justiça em Portugal, e nomeadamente no Desporto Nacional, ele tinha de responder perante a lei, e ser julgado pelos elevados índices de suspeição de corrupção activa e tráfico de influências no futebol nacional que giram em torno de tanto sucesso em praticamente 1/3 de século de história do clube!
"Não me interessa a corrupção enquanto tudo corre de feição.. mas imaginem se o mesmo se passasse e o F.C.Porto nestes 26 anos de hegemonia incontornável, não tivesse alcançado tamanho sucesso.. O que seria de Pinto da Costa? O que seria do F.C.Porto? O que seria do futebol nacional? O que seria da cidade do Porto..?"
Um contador de histórias.
sexta-feira, março 14, 2008
CURRICULUM VITAE F. NOLASCO
1) Dados Pessoais
Fernando Eduardo Barbosa Nolasco.
Rua Gil Patrício, nº43 - 2º Direito 1900 Lisboa.
Tel.: 21 6543321.
Telemóvel: 96 324333.
2) Objectivo
- Médico Nefrologista, Gastrentologista, Cirurgião Geral e Anestesista. Pretendo ingressar no Hospital Geral Santo António, Centro Hospitalar do Porto EPE, para exercer funções no Departamento de Ensino, Formação e Investigação. Sinto-me com capacidade de evoluir na carreira e de poder vir a ter cargos de maior responsabilidade, do que aqueles que já possuo.
3) Competências
- Boa capacidade de expressão escrita, oral e outras;
- Facilidade de integração em projectos de trabalho em equipa;
- Domínio do Inglês escrito, falado e outros;
- Domínio do Francês falado;
- Conhecimentos de Alemão, Mandarim, Checo e “Gasco”;
- Autonomia. 8h diárias com bateria de lítio. 4h diárias com bateria a pilhas recarregáveis;
- Criatividade;
- Domínio do processador de texto em ambiente MS-DOS;
- Domínio de cães e lagartos como entertainer em festas populares em Figueirós dos Vinhos.
4) Percurso
- Guarda redes da equipa de futebol do ensino secundário “Os Texuguinhos” de 1968 a 1970.
- Baterista dos: The Paintguers, Pigates of Guede Aigue, Trogan e Flying Chaigues. Década de 70.
- Actor no Grupo de Teatro da Universidad Nacional de Colombia. Bogotá 1975.
- Voz-off de desenhos animados da RTP. Lisboa 1988.
- Tesoureiro do Clube de motards “Os Barrigas”. Évora 1993.
- Conselho Científico da Sociedade Portuguesa de Nefrologia. Lisboa 2000.
- Presidente do Conselho pedagógico da FCM-UNL. Lisboa 2005.
- Estabelecimento da estimativa da Filtração Glomerular. Equação de Cockcroft-Gault-Nolasco “Eu e mais dois”.
- Participação em inúmeros congressos, workshops, e conversas com máquinas.
- ...
5) Formação
- Licenciatura em Medicina na Universidad Nacional de Colombia. Bogotá 1978.
- Doutoramento em Competências Pedagógicas no séc. VI A.C. (período Arcaico) da Grécia Antiga. Atenas 1982.
- Especialização em Nefrologia. Lisboa 1985.
- Especialização em Gastrentologia, Cirurgia Geral e Anestesia. Cursos Planeta de Agostini em 20 lições + 10 aulas práticas + 50 BJ’s (explicarei em entrevista o significado da última).
- Curso de Inglês (6 anos) no Instituto Oficial de Londres em Portugal, Lisboa 1990.
- Curso de Linguagem Gestual. Lisboa 1994.
- Curso de Terapia da Fala, Como Aprender a Falar. Lisboa 1994.
- Curso de Mascar Pastilhas Elásticas em 3 Tempos. Lisboa 1994.
- Curso de Perfil para usar Óculos Tipo Garrafão. Lisboa 1994.
- Curso de Entertainer em 10 Lições. Lisboa 1994.
- Curso de Ser Careca e não Ser Careca. Lisboa 1994.
- Curso de Como Estar Presente em vários Locais ao mesmo tempo. Marte 2001.
- ...
Diversos
- Divorciado, carta de condução, baterista (com percurso por várias bandas de Electro-Pop de garagem nos anos 70).
- Nascido a 12 de Agosto de 1951 em Queluz.
- Alcoólico anónimo desde 1995, em tratamento.
- Doença mental grave, do foro neurótico (perturbação obsessivo-compulsiva), desde 1998 em tratamento.
domingo, março 09, 2008
Vencedor de 5 prémios internacionais. Um filme a não perder.
Veredicto: 8,5
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quinta-feira, março 06, 2008
O diabo está em toda a parte...
Encontrei isto no you Tube e não pude deixar de partilhar convosco...Quero comentários..
domingo, março 02, 2008

Bom, para começar, o filme retrata os primórdios da exploração do petróleo na poderosa e magnânime nação a que designamos de EUA. Toda a história da narrativa vive bastante (mas não só) do desempenho do talentoso Daniel Day-Lewis (considerado em conversas de café o actor da história do cinema que mais bem geriu a carreira). Este, impregna uma vivacidade e substância especiais à personagem que encarna, o magnata do petróleo Daniel Plainview. Por outro lado, o desempenho do jovem Paul Dano, o profeta da profícua "Igreja das 6 revelações" (ou algo do género) não deixa margem para críticas - um autêntico confronto de gerações em termos de talento de interpretação. A história acaba por se centrar nas vivências de Lewis nos altos e baixos do seu negócio, nomeadamente a sua ociosidade cega, e as implicações que isso acabará por acarretar: tanto na progressivamente dramática relação com o filho, como na relação conflituosa e até anedótica, de sucessivas inversões dos papéis de poder, com o profeta da cidade local. Este, serve também de âncora para expor, de forma sarcástica, a proliferação nesta época de seitas e cultos religiosos de interesse menos legítimo (que podemos infelizmente ainda constatar hoje!!).
A direcção do filme está de facto de parabéns, conseguindo transformar uma história quase banal numa película que nos prende verdadeiramente ao ecrã, não só pela riqueza das personagens, passando pela forma como as cenas são elaboradas (notando-se aqui um trabalho meticuloso) até aos criteriosos efeitos sonoros, criando uma tensão angustiante ao longo da narrativa. Uma das cenas mais brilhantes do filme foi aquando do evento dramático que marcaria para sempre o filho de Plainview, com a música de fundo a objectivar de uma forma atroz tudo aquilo que a personagem perdera. Verdadeiramente tocante, irão perceber na altura.
Sem dúvida, um filme merecedor de uma nomeação para óscar e que vale a pena ver (e quem sabe, rever).
Veredicto: 8,5
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Podem não acreditar mas este objecto de contornos irregulares e com um prolongamento ponteagudo não passa de um... MACACO, mais propriamente um "macácu sánchu" como designavam por lá, um autêntico Ferrari por entre as árvores... (foto cortesia de Miguel Abreu)
TCHA THCHA TCHA TCHAM!! Como podem constatar nesta segunda foto, as melhores das intenções (como esta corrida para posteriormente efectuar actos de teor médico) podem culminar nas mais torpes e abomináveis consequências como o que aconteceu a esta querida criancinha... (não se preocupem os mais sensíveis, tudo terminou bem : )
Já esta queridita, representada nesta 3ª foto, não se coibiu de mostrar todas as suas qualidades no mundo do estilo e da moda, ostentando estes agradáveis e bonitos... objectos em torno do seu crâneo, num local a que todos designam de "discôtecá de DÁMA DI QUALIDÁDI"...
Esta 4ª foto retrata bem como um "BRÁNCU" (um ser alienígena vindo de um planeta com rituais estranhos onde abundam todo o tipo de stuffs que não se sabe bem pra que servem mas que seria bom possuir) se pode constituir como um PERTURBADOR GODZILLA... Reparem ainda, em mais pormenor, no sofrimento transcendental que este verdadeiro e abominável GODZILLA provocou nos habitantes locais:
Absolutamente, "no comments" : D (fora de brincadeiras, obrigado Sr. Régulo pela sua simpatia inexcedível : )Amen
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Diário da Missão a Tombali - 2ºGrupo
Pois é! Após o regresso do primeiro grupo a Portugal (António, Filipe e João), o projecto U' anan (vertente Saúde) continua a desenrolar-se em terras guineenses, agora com mais três protagonistas (Zélder, Heldão e o Micles).
Recebemos há dias um primeiro relato do que encontraram em Iemberém e do trabalho que têm levado a cabo. Relato do qual deixo aqui algumas partes, já que o Micles não o pôde fazer já que a net em Bissau, pasmem-se, têm uma velocidade inferior à netcabo.
Quanto a nós, resta-nos desejar-lhes continuação de um bom trabalho! Força amigos! Nós já morremos de saudades da Guiné! E de vocês também!ehehe
Após 6 meses de espera e depois da ansiedade consequente aos relatos do grupo anterior, chegámos finalmente a Bissau(...)
(...)Ainda no aeroporto de Lisboa tivemos o primeiro percalço, quando uma operadora da TAP (perdoem-me se não é esta a designação correcta, não sei se existe qualquer outro nome pomposo que defina quem faz aquela complexa tarefa) plena de simpatia desde o primeiro minuto de atendimento, nos cobrou 120€ por pouco mais de 4 kg de bagagem em excesso por cada um de nós…ainda tentámos explicar que eram medicamentos e outro material de cariz humanitário para distribuir por aldeias dos interior do país, mas a distinta senhora, revelando uma flexibilidade ao nível dos caixas do Mcdonalds e um coração do tamanho do mundo, passou-nos a guia para pagarmos o excesso de bagagem. Sem mais problemas, seguimos o nosso percurso até ao embarque (...)
(...) Às 3 horas da tarde (a mesma hora que em Portugal continental) chegámos finalmente a Bissau. Depois de uma meia hora de espera para a verificação dos passaportes, dirigimo-nos para o único tapete rolante do aeroporto a fim de recolhermos a nossa pesada bagagem (...)
(...) Após mais meia hora de espera e com dois carrinhos cheios, dirigimo-nos para a saída destinada a diplomatas, o único local onde a bagagem não é aberta, onde o Jiby explicou que nós éramos médikús com medicamenta pra tratá du mininú (perdoem-me eventuais erros, mas ainda estou a aperfeiçoar o meu crioulo). Após a inspecção dos caixotes por parte de 3 polícias, foi autorizada a nossa saída sem que as bagagens fossem abertas (...)
(...) Sob o sol tórrido ficamos fascinados com toda a cor daquele caos organizado. A terra é vermelha e a berma da estrada entre o aeroporto e Bissau é preenchida por coloridas tendas de vendedores. A estrada não é marcada e as buzinadelas são constantes, sejam para avisar os peões que abordam a berma da estrada com o intuito de a atravessarem ou os veículos que à frente ocupam a sua faixa virtual. À medida que nos aproximamos do centro da cidade o trânsito intesifica-se e as “lojas” junto à estrada são cada vez mais diversas e em maior quantidade. À nossa volta circulam sobretudo táxis, todos eles Mercedes 190D azuis, e toca-toca pejados de gente. Já em pleno centro de Bissau, cruza em sentido contrário um autocarro dos STCP (Serviço de Transportes Colectivos do Porto) – Rui Rio, se por qualquer eventualidade estiveres a ler, experimenta enviar os camiões do lixo devolvidos por Maputo aqui para Bissau, pode ser que desta vez eles aceitem (...)
(...) Partimos entusiasmados à descoberta de Bissau. A parte central da cidade é composta por muitas paralelas e transversais, uma cidade feita a regra e esquadro onde apenas as ruas principais são alcatroadas. As casas estão quase todas decrépitas e remontam, na sua maioria, ao tempo colonial, excepção feita às embaixadas e aos edifícios onde funcionam órgãos do governo, locais “sagrados” aos quais nem nos é permitido fotografar. Entre os numerosos táxis e toca-toca e para além de algumas motorizadas, todas elas conduzidas sem capacete, passam volta e meia, e contrastando com a extrema pobreza, Jipes Hammer e BMW X5 que mais tarde viemos a saber pertencerem a traficantes de droga e a alguns altos responsáveis do estado (...)
(...) Já tinha caído a noite quando regressámos à pensão da D. Berta. Este era o único edifício da rua que aparentemente tinha luz eléctrica. No caminho do mercado à pensão tínhamos visto mais uns quantos, mas não muitos… Bissau à noite vive mergulhada na escuridão, os quase inexistentes postes de luz estão apagados e são muito poucas as casas que têm gerador próprio. Disseram-nos que, de vez em quando havia luz da rede pública, por enquanto ainda não tivemos a oportunidade de o constatar.
A pensão da D. Berta é um ícone de Bissau, arrisco-me até a dizer do próprio país. A D. Berta, ou avó Berta como também lhe chamam, é uma senhora Cabo-verdiana de 83 anos que chegou a Bissau ainda na década de 40 por ter casado com um guineense. Era o marido o proprietário da pensão, mas após a sua morte ficou ela a responsável máxima e desde então, ainda que não seja essa a designação oficial do estabelecimento, quem vem a Bissau fica na D. Berta. O edifício ilustra a minha interpretação de algumas descrições de Hemingway da Cuba de outros tempos. O próprio clima quente e abafado e o sorriso na cara envelhecida da D. Berta sentada nas traseiras do balcão que circunda todo o edifício remonta-nos para outros tempos. Todos os dias o almoço e o jantar são servidos da mesma forma que o eram ainda na era colonial. Sopa, um prato de carne, outro de peixe e a sobremesa. O cliente escolhe apenas o que quer beber e sabe tão bem uma Cristal fresquinha neste calor tropical… (...)
(...) rumámos a sul. A viagem de Bissau a Iemberém (quartel general da nossa missão) dura, em média, 5 horas, sendo que num terço da duração da viagem se percorrem dois terços do percurso. O que custa é a última parte, toda ela em esburacadíssimas estradas de terra onde só a destreza do Antero nos permite chegar a bom porto (...)
(...) À medida que rumávamos para sul a floresta ia-se adensando e a temperatura tornava-se mais amena. Já na parte sinuosa da viagem passámos por inúmeras tabancas (aldeias) onde crianças à porta de palhotas nos acenavam com um largo sorriso nos lábios. Já muito perto de Iemberém o Antero parou para cumprimentar um amigo. Era um agricultor conhecido da AD que quando soube que éramos médikús nos arranjou logo meia dúzia de enfermos para observarmos. A maior parte deles tinham pequenas escoriações fruto de ligeiros acidentes de trabalho e limitámo-nos a dizer que não era nada. Por fim, falou-nos a mulher dele. Tinha muitas dores de estômago (algo que é frequente por estas bandas) as queixas dela eram compatíveis com uma úlcera gástrica e decidi dar-lhe 3 comprimidos meus de pantoprazol (para os leigos, um fármaco que inibe a produção de ácido no estômago) dizendo-lhe para tomar dia sim, dia não. Uma semana depois, ao passarmos novamente por essa tabanca a senhora veio ter comigo sorridente, a dizer que não tinha voltado a ter dor e que queria mais comprimidos, algo que infelizmente não lhe pude dar (...)
(...)Chegámos finalmente a Iemberém. Os nossos aposentos, um verdadeiro luxo para os padrões de qualquer tabanca guineense, consistem num quarto com 3 camas sob as respectivas redes mosquiteiras, uma sala de trabalho e um quarto-de-banho com não mais de 4 m2 , onde temos uma retrete com o autoclismo avariado, um poliban com um chuveiro fixo e sem cortina e um lavatório. De referir que tanto o chuveiro como o lavatório têm apenas uma torneira, a da água fria. Se pensarmos que na capital, Bissau, não há água canalizada da rede pública, e que mesmo na D. Berta toda a higiene era feita “ao balde”, o facto de aqui a termos (não pública, vem directamente do poço da AD) torna aquilo que em Portugal seria considerado um pardieiro infecto, no verdadeiro Sheraton de Iemberém. Estes luxuosos aposentos são partilhados por todo um ecossistema que começa na “formiguinha” que desconhece em absoluto as escalas biológicas (custa-me até um pouco chamar formiga a este insecto, tal é o tamanho do bicho) e acaba no morcego que vive sobre o tecto falso e que contribui para que o ecossistema não seja ainda mais rico em artrópodes (...)
(...)E se estamos alojados como reis, comemos como príncipes, pelo menos tendo em conta que temos um prato para cada um de nós, um garfo e uma faca, algo estranho para a maior parte dos guineenses, que comem todos da mesma panela, cada um com a sua colher. A ementa é fácil de decorar – Galinha do campo com arroz tipo trinca de cão por uns módicos 1500 Francos CFA (qualquer coisa como 2,25€). Isto ao almoço e ao jantar durante as duas semanas!!! Eu até gosto de frango, mas todos os dias!!!? Qualquer dia nascem-me as asas… (...)
(...) Quando aqui chegamos questionamos até a necessidade de tanto “desenvolvimento”, vemos as crianças felizes a brincar, os homens sorridentes e as mulheres distraídas nos seus afazeres diários e passa-nos pela cabeça questionar quem está certo, se nós, se eles. Mas depois aparecem-nos crianças com doenças facilmente tratadas por medicamentos que em Portugal estão ao virar da esquina, outras com limitações físicas graves consequentes a deformações congénitas não corrigidas. Visitamos “hospitais” de tabancas centrais, os poucos locais onde por estas bandas se conseguem encontrar enfermeiros (médicos, nem vê-los) e, ao fazer o inventário do material, constatamos que não têm literalmente nada (...)
(...) A primeira semana foi bastante trabalhosa. Saíamos cedo de Iemberém e chegávamos, muitas vezes, já o sol se tinha posto. O nosso trabalho consiste em visitar escolas, unidades locais de saúde e matronas (parteiras). Nas escolas desparasitamos as crianças com mebendazol (um anti-helmíntico, mata as “bichas” , as “lombrigas”, etc.) procuramos um parasita na bexiga (Schistosoma) fazendo as crianças correr, saltar e pular durante uns 3 min. recolhendo depois análises de urina vendo se têm ou não sangue, se tiverem, damos outro medicamento. Para além disto oferecemos uns cadernos de desenho elaborados por nós e que contêm mensagens de saúde base importantes ( saberem-se resguardar dos mosquitos de forma a evitar a malária, defecar e urinar nas latrinas, ter cuidados de higiene, etc.), medimos ainda os níveis de hemoglobina capilar a uma percentagem de alunos e oferecemos material escolar que adquirimos pessoalmente em Portugal (lápis, lápis-de-cor, giz (obrigado João), apara-lápis e, para gáudio de todos, por vezes ao som de um forte aplauso, uma bola de futebol (...)
(...) A maior parte das escolas que visitamos são comunitárias, ou seja, são erguidas e geridas pela aldeia, pois o estado ainda não as presenteou com uma, limitando-se a destacar professores aos quais não paga. A formação dos professores é a mais pragmática possível, alguém que tem a 2ª classe pode ensinar a 1ª, alguém que tem a 3ª pode ensinar a 2ª e por aí em diante. Antes de vir, ao informar-me sobre a Guiné, li algures que a percentagem de população que falava a língua oficial do país, a portuguesa, era cerca de 10%, vejo agora que é uma percentagem bastante optimista e percebo facilmente porquê. Ainda que nas escolas as lições sejam escritas em português, os professores falam com os alunos em crioulo e alguns deles (a esmagadora maioria, se exceptuarmos os professores efectivos do estado) nem sabem a língua, é como se a nossa professora de inglês do 5 ao 11º ano não compreendesse ou falasse a língua que escrevia no quadro (...)
(...) À noite, em Iemberém, demos seguimento às aulas de alfabetização de algumas crianças e adultos iniciadas pelo grupo anterior, somos, de longe, as pessoas mais habilitadas a fazer tal coisa neste sector(...)
(...)ficámos sem carro à nossa disposição. Estava portanto na altura de utilizarmos as bicicletas adquiridas aquando da estadia em Bissau. Descobrimos então o conceito made in china e mounted in Guiné-Bissau, uma mistura verdadeiramente explosiva no que diz respeito à robustez(...)
(...) No caminho para Bissau, onde passaremos este fim-de-semana, e ao som da música do meu leitor de Mp3, observo a estrada em terra vermelha, as termiteiras que nascem como castelos por entre a erva alta e, aqui e ali, mais uma tabanca . Ao passar-mos por algumas mais desenvolvidas, vem novamente o rodopio desenfreado de quem quer vender tudo a toda a gente…Laranjas, mancarra, gasóleo, vinho de palma…volto a ver a terra vermelha, as palmeiras, a erva alta..é fácil imaginar que foi aqui que nasceu a humanidade (ainda que actualmente hajam já indícios contrários)…
Agora, de novo em Bissau, duas semanas após a chegada e no nosso único regresso à capital antes do inerente ao regresso a Portugal, inúmeros episódios se me afiguram à medida que escrevo, mas ao olhar para o canto inferior esquerdo vejo que vou já em 7 páginas…
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Blog de referência

Para os interessados aqui fica, o blog de um senhor jornalista, como já não se vê:
http://www.blogdabola.blogspot.com/
terça-feira, dezembro 11, 2007
Separados à Nascença

Voltando à velha ideia do "separados à nascença" que conheci na já extinta revista VIDA, suplemento do jornal Independente em meados dos anos 90, aqui deixo estes dois gémeos...sábado, novembro 24, 2007
Dário da Missão a Tombali 1º Grupo

Façam um favor a vocês próprios, não venham. Isto é mau demais para ser verdade!!! Imaginem que estão no fim do mundo. Já está? Agora elevem à décima potência e multipliquem por 450. Agora estão preparados para começar a pensar o que isto é na verdade. Começar disse eu, porque para saber mesmo o que isto é, têm de cá vir, e ver. Ver, ver, ver.. com olhos de ver. Bissau é mau de mais para ser verdade. Não podem andar nas ruas sozinhos. Branco é visto como diferente, como extorquidor, como assassino. Português é visto como traidor, homem mau, homem não desejado na terra deles. Não vão poder nunca andar sozinhos. Eles têm armas em punho, que exibem cruelmente nas ruas de Bissau. O Dimy têm-nos valido, e muito! Em 2 dias fomos abordados umas dezenas de vezes. As catanas brilham com o Sol reluzente. Depois não há passadeiras, o pessoal atravessa-se na estrada e não quer saber dos carros, se apitas estás sujeito a ser degolado em três tempos, porque virão atrás de ti no Toca Toca, numa perseguição infernal mesmo à Imagens Reais (tivemos a oportunidade de ver o início de uma perseguição, o início friso). Polícia nem vê-la. À noite não podem sair de casa, porque além de não haver luz, estão sujeitos a esbarrar no corpo de um dos “2 milhões” de guineenses que colmatam todas as ruelas de Bissau. Enfim.. para ver com os vossos olhinhos!!!
Antes de mais, e sem que antes passemos a dar indicações precisas acerca do que é preciso trazer para cá, cabe-nos informar, que estamos em África, mais concretamente na Guiné-Bissau, e neste preciso momento estamos a escrever do Sul (Iemberem). Como imaginam isto não é propriamente a Europa, aliás de Europa tem muito pouco ainda, apenas alguns brancos (contamos aí uns 5 no máximo em 4 dias que cá estamos), produtos importados que para cá vêm para os mercados locais serem vendidos a preço de ouro (nada que não se pague aí em Portugal, mas para o caso, é demasiado caro, e ainda estamos para saber quem é que compra alguma coisa aquele preço, a não ser branco ou pessoa com dinheiro e que precise mesmo), e na tabanca onde estamos luz, água “canalizada” e casas de tijolo, pintadas com tijoleira no chão coisas fundamentais, que nem na capital existem ainda (parece mentira mas é verdade).
Queremos também dizer, que a nossa missão está a ser bem conseguida, mas que vocês vão ter um papel mais importante ainda, no sentido de ver realizados os nossos objectivos por inteiro. Além do já pré-estabelecido entre nós, vão poder contar com mais algumas coisas / instrumentos / fármacos, caso consigam trazer, que têm espalhado esperança e agradecimento de todos os habitantes locais pelas tabancas onde temos passado.
1ª nota: este povo é fenomenal! Pobre mas sempre com um sorriso de orelha a orelha! É incrível… Só quando estiverem cá irão perceber o que queremos dizer. Mas fiquem com esta nota. Mesmo sem o Dimi, não terão qualquer problema, quer em Bissau e muito menos aqui no Sul. Podem passear à vontade no “Texas”que é Bissau. E no Sul terão sempre crianças a quererem dar-vos a mão, dar-vos um olá! É a melhor imagem que levamos daqui… Ficamos todos derretidos.
A ideia de que estávamos em vantagem por virmos com o Dimi era correcta. As crianças percebem mais ou menos o português, mas têm sempre que levar convosco às escolas alguém da AD que fale crioulo. Terão que se sentar com essa pessoa e explicar-lhe todas as mensagens que querem passar às crianças.
Aqui no Sul, o responsável por tudo relacionado com a AD e com o nosso trabalho, chama-se Abubacar Serra. É com ele que tudo é planeado… Desde a logística, passando pela alimentação e pelo plano de actividades.
2ª nota: de tudo o que estiverem a pensar trazer, tragam SEMPRE em quantidades 10 vezes superiores aquelas previamente delineadas.
3ª nota: se puderem poupar espaço nas mochilas, trazendo menos roupa e acessórios que não são de importância fulcral cá, para meterem mais coisas, fármacos, prendas, livros, bonecos, … para dar às crianças, POUPEM (digo eu)!!! Porque a verdade é esta, vão ficar hiper, super, mega ri-fixe, contentes e com a alma repleta, quando derem um simples rebuçadito a qualquer criança de cá…
4ª nota: a impressão de todos os documentos deverá ser feita lá na Papelaria Fernandes ao pé do IMVF, como já foi dito previamente pelo Rato. Tratem dos bilhetes com a Top Atlântico. Vistos com a mamalhuda da Ana Semedo. Tratem da farmácia pessoal (muito importante). Nós deixamos o que sobrar, mas têm impreterivelmente que arranjar / trazer mefloquina para vocês os 3 e vibramicina para os 3.
5ª nota: TRAGAM O HARRISON, apesar de ser trabalho árduo, o tempo aqui demora mesmo MUITO a passar.. como tal aproveitem para adiantar qualquer coisinha. O Dimy num dia “leu” 30 páginas (LOL).
6ª nota: Abriny tem aqui uns macacos de cauda branca que chamam pelo teu nome durante toda a noite!!! Anseiam pelo teu rabinho quentinho e musculado. Aqui é que vais ver, quem realmente levanta ferro. Pede ao Dimy para te apresentar o Nicandro. Até choras.
A: à chegada a Bissau, deverão fazer uma série de compras para poderem ter no Sul (caso não tenham trazido da Europa), como:
- água com fartura (estamos a fazer uma média de 3L por dia para os três)
- café
- açúcar
- cerveja (para não perder o contacto com o mundo, no meio desta tranquilidade toda, faz-nos relembrar bastantes coisas, e saborear algo conhecido)
- álcool etílico
- lixívia
- sacos do lixo (muitos)
- papel higiénico
- león brandi (repelente de interior que se acende com isqueiro; têm duração de 12horas se bem que a eficácia contra o anofélio é questionável, já que costumamos ter um aceso durante a noite, e eles andem sempre a melgar o Dimy)
- lanterna
- sabonete
- clips
- fio / corda para prender as redes mosquiteiras, fazer de estendal da roupa, …
- outras coisas que achem que precisam
B: lista de coisas a trazer para deixarem cá (era bom vocês conseguirem mesmo trazer isto tudo, porque a falta é imensa, e só quem cá vem, é que pode dar valor ao que temos aí com tanta fartura, e que tanto jeito dava cá)
- cadernos de desenho (máximo que conseguirem meter: no mínimo 3.000 caderninhos)
- material escolar (cadernos, canetas, lápis, lápis de cor, papel, giz, tudo o que se lembrarem faz falta cá, …)
- bolas de futebol (falar com as marcas para ver se dão alguma coisa de jeito, para distribuírem pelas escolas onde passam)
- coisas para oferecer às crianças, um simples décimo (1/10) de um snickers dá-lhes uma alegria nunca antes vista, se bem que toda a gente passa a vida a sorrir nesta terra…
- medicamentos
1) Praziquantel e Mebendazol máximo que conseguirem: no mínimo 3.000 de cada; aqui nada se estraga e é bem preciso porque há muitas crianças. Além daquelas crianças que vão à escola (que no conjunto de todas as tabancas com escola do sector, já são MUITAS), há muitas outras que não vão à escola, e às quais é difícil ter acesso, a não ser que se percorresse todas as casas, porta a porta.
2) Kits cirúrgicos básicos (tesoura, pinças, bisturi, porta agulhas, fios de sutura, …)
3) Kits de desinfecção: álcool, betadine, algodão, adesivo, compressas, pensos, ligaduras, … PODEM TRAZER O QUE CONSEGUIREM, PORQUE NÃO HÁ ABSOLUTAMENTE NADA.
4) Sulfato de ferro
5) Luvas (arranjem maneira de pedir pacotes aos fornecedores, desmarquem das enfermarias, … mas tragam para distribuir)
6) Kits de saúde com os fármacos combinados por nós.
7) AAS
8) Paracetamol
9) Cloroquina
10) Pomada AB’s e oftálmica
C: falar com o Gonçalo para meter aqui através da AD / IMVF uma série de equipamentos / objectos simples que são estritamente necessários nos vários locais:
1) camas
2) macas
3) berços
4) balanças
5) termómetros
6) cadeiras de rodas
7) IZASA: pedir mais cuvetes para doseamento de Hgb. Caso não usem todas, podemos deixar cá no Centro de Saúde de Iemberem porque fazem bastante falta. E caso dê tragam outro Hemoglobinómetro (LOL). Cravem esses caralhos, para deixarmos aqui no Centro de Saúde também.
8) fármacos IDA: aumentem o número de fármacos previamente estabelecidos e calculados por nós, se ainda for possível, para serem difundidos pelas várias tabancas.
9) meter cá um veículo de transporte, para funcionar como ambulância (LOL), no sentido de transportar as pessoas, que não têm como se deslocar, nem dinheiro, com complicações obstétricas e decorrentes da malária, para outros locais no Norte, onde existirão mais meios, oferecendo a possibilidade de salvamento aos mesmos.
D: Existe aqui em Iemberem o Centro de Saúde Materno Infantil como já devem saber.. No entanto está no terreno uma equipa de brasileiros (de uma ONG “lá da fazenda”), há já 4 anos, e da qual faz parte a Enf. Vera, que é responsável pelo centro e pela saúde local. Trabalham em parceria com o Governo e com a Administração Regional de Catió, tendo supervisão mensal por parte dos mesmos órgãos. Conta com uma série de fármacos da IDA (praticamente todos, tendo sido adquiridos por eles, sem ajudas governamentais), dois microscópios, lâminas e lancetas para avaliação serológica da malária – gota espessa. Contudo, têm falta de reagentes para tal avaliação, já que estes são de aquisição de extrema dificuldade (já tentaram trazer do Brasil, de Espanha de um colega médico, e através da CV, sem efeito). Por isso, se conseguirem trazer, tragam que não se perde.
Antes de iniciarem qualquer acção de formação aos ASB’s, devem informar a Enf. Vera, já que ela se quer inteirar da situação, tendo já em vista alguns jovens indivíduos mais capazes em se tornarem ASB’s nas várias tabancas da região.
Podem estabelecer contactos com Hospitais e outras entidades, no sentido de saber a possibilidade de doação de um ecógrafo para cá (para Centro de Saúde Materno-Infantil), já que este é um centro de referência em termos obstétricos, e contam apenas com um Sonar antigo (do qual não conseguem estabelecer com rigor as condições e apresentações dos partos), e sabendo também que há pessoal com formação em ecografia e disponibilidade para vir para cá trabalhar e ajudar este povo.
E: estamos a pensar já (após 2 dias de missão apenas), em fazer uma exposição fotográfica em Lisboa, com fotografias dos vários cenários que vão aqui encontrar, no sentido de fazer ver, rever, alertar, mostrar, “dar uma pequena ideia” do que é a vida aqui (não é que ainda não se saiba, mas é para continuar a passar a mensagem)!!! Portanto, se conseguirem preparem já alguns contactos / mails com pedido de patrocínios a gráficas, reprografias, empresas (DELTA CAFÉS SEMPRE ATÉ MORRER - família Nabeiro estaremos sempre convosco - sou do Campomaiorense desde pequenino!!!) … para podermos todos levar avante este projecto que o nosso amigo Dimy quer tanto ver realizado.
quinta-feira, novembro 22, 2007
Sicko

Mesmo sabendo que é assim que as coisas se passam na maior economia (e potência) mundial, o encarar a realidade de alguns factos em concreto faz-nos reflectir no verdadeiro valor daquilo que (ainda) temos. Espero que seja uma força suplementar para um dia, caso seja necessário, todos lutemos por um direito inalianável...o direito à saúde.
domingo, outubro 14, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
Prevista abertura de mais vagas para Medicina
"As previsões dizem-nos que as actuais 1400 vagas anuais para cursos de Medicina em Portugal não são suficientes a curto e médio prazo", afirmou o ministro, apelando às universidades para que criem condições para que esse crescimento seja possível.
Nas licenciaturas de Medicina, um dos cursos com mais candidatos no Ensino Superior, abriram este ano 1332 vagas no continente, mais 48 do que em 2006, e 68 nas regiões autónomas, o que dá um total de 1400 lugares, mais quatro por cento do que no ano passado.
O ministro falava na Universidade do Minho, na cerimónia de inauguração do novo edifício da Escola de Ciências da Saúde, numa cerimónia em que foram entregues os primeiros diplomas a 50 licenciados em Medicina.
O governante lembrou que "o país não pode deixar fugir os seus melhores intelectos, os estudantes que frequentam o curso de Medicina em Espanha, muitos aqui ao lado na Galiza, ou algumas centenas na República Checa".
Ainda na sua intervenção, Correia de Campos elogiou "a altíssima qualidade", quer do curso de Medicina, quer da investigação em ciências médicas da Universidade do Minho e enalteceu o facto de a instituição ter respondido positivamente ao apelo para aumento de vagas, passando de 50 para 100 o número de alunos no primeiro ano.
O ministro referiu-se ainda ao projecto do novo Hospital de Braga - que ficará sedeado em terrenos vizinhos e será do tipo universitário - garantindo que o concurso público estará terminado em meados de 2009, devendo a obra ficar concluída dois anos depois, em 2011.
No final, questionado pelos jornalistas sobre o problema da falta de médicos em Portugal, nomeadamente nas zonas do interior, o ministro disse que a falta faz-se sentir mais nas zonas urbanas, onde se concentra a maioria da população. Lembrou que em 1986, os diferentes cursos de medicina apenas aceitaram 186 vagas no primeiro ano, número que subiu, apenas para 450 em 1995, o que originou a actual carência de médicos.
Na ocasião, o reitor da universidade disse que o novo edifício irá potenciar as actividades de ensino médico, de pós-graduação e educação médica contínua, bem como de investigação biomédica e de prestação de serviços à comunidade". A conclusão do edifício permitiu já "o aumento significativo do número de alunos que iniciaram o Curso de Medicina com Mestrado Integrado no ano lectivo de 2007-08", acrescentou.

